Adoro pontos de exclamação!! Adoro perguntas pontuadas!!! Adoro interjeições coloquiais, ainda que outro dia tenha ouvido falar que ao exclamar “nhaammm” o comensal ofende sua refeição e o cozinheiro “estraga” sua receita.
De que forma o elogio pode, senão, incentivar comportamentos? Se o fluido social é então composto de uma enxurrada de elogios nada mais prático de se fazer que um “como te aparentas bem!” ou “te apresentas bem vestida!”. Me agrada um sorriso, que sendo pois um grande fluido social, denota um certo mistério, é educado e gentil e principalmente não constrange o elogiado com aquele silêncio constrangedor que se segue a um sonoro “Queriiiiiiiiida” ou “Linda” e por aí se vai…
Há quem diga que não gosta de ironia porque fere o caráter do ser-humano, deturpa a honra do cidadão, do ídolo. Prefiro admirar o uso dela na totalidade do ponto de exclamação que a finaliza, nas reticências da sua neblina, ou na interrogação da sua dúvida! Não que ela seja digna de ser usada em cada parágrafo das suas ausências de conteúdo e nem nas suas sobressalências de ignorância. Mas me soa sim como um bom cartão de boas vindas, como um viés de sensualidade, e como um bom desafio da alma!
Se a alma é lírica, a realidade é crítica, nesse paradoxo a ironia é o bálsamo, e o humor o entorpecente social!
PENSANDO: “O público anda uma lástima. Alguns nem tomam banho, vão direto do trabalho!” – Gaetana Maria Jovino di Ricco – Estadão – Aliás – 13/12/2009
OUVINDO: Gotye



